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Araguina,24/02/2026

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Prematura extrema, Stella desafia diagnóstico e surpreende médicos com evolução em Araguaína


Prematura extrema, Stella desafia diagnóstico e surpreende médicos com evolução em Araguaína

Quando Stella Oliveira veio ao mundo, com 25 semanas e seis dias de gestação e pesando apenas 400 gramas, a vida impôs uma das batalhas mais difíceis. Foram 110 dias de internação, entre aparelhos, medicações e incertezas. Poucos imaginavam que aquele bebê tão frágil carregava uma força capaz de transformar dor em esperança.


Após a alta hospitalar, exames apontaram uma lesão cerebral decorrente da prematuridade extrema, levando ao diagnóstico de paralisia cerebral com tetraplegia espástica, condição neurológica considerada grave, que compromete os movimentos dos quatro membros e interfere diretamente no desenvolvimento motor, da fala e da autonomia.


Encaminhada pelo pediatra para tratamento especializado antes dos dois anos de idade — fase decisiva para ganhos neurológicos —, Stella iniciou acompanhamento no Centro Especializado em Reabilitação (CER) de Araguaína, participando do grupo de estimulação precoce e, posteriormente, de fisioterapia motora especializada.


Evolução surpreende profissionais


No início do tratamento, Stella não sentava, não possuía coordenação motora, não falava e apresentava rigidez intensa nos membros. Hoje, aos 3 anos, a criança caminha, se alimenta sozinha, segura lápis e pincéis, fala com desenvoltura e demonstra algo ainda mais valioso: alegria, autonomia e vontade de viver.


A mãe, Daiane Oliveira, relata o processo com emoção e gratidão.


“Foram muitos medos, muitas noites sem dormir e muitas incertezas. Eu ouvi várias vezes que ela não iria resistir. Mas a Stella resistiu. E não só resistiu, ela venceu. Cada passo que ela dá hoje é uma vitória construída com muito amor, fé e persistência”, afirmou.


Tratamento multidisciplinar


A evolução de Stella foi possível graças a um acompanhamento multidisciplinar, que incluiu fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e nutrição, além do fornecimento gratuito de andador, cadeira de rodas e órteses, equipamentos essenciais para o progresso funcional da criança.


Responsável direto pela reabilitação, o fisioterapeuta Murilo Henrique explica que o caso é considerado raro dentro do prognóstico clínico.


“A Stella apresenta um tipo de paralisia cerebral mais grave, que compromete os quatro membros e todo o desenvolvimento motor. O esperado, nesses casos, é que a criança dependa permanentemente de dispositivos. Mas ela evoluiu além do esperado. Hoje, já caminha sem o andador em alguns momentos. É uma conquista enorme”, destacou.


Luta da família


Antes de ser atendida pelo CER, a família enfrentou dificuldades financeiras e chegou a organizar rifas e campanhas solidárias para custear as primeiras terapias.


“Eu parei minha vida para cuidar dela. Saí do trabalho, viajei de outro município, fiz tudo o que foi necessário porque quando se trata de um filho, a gente não desiste”, contou Daiane.


Hoje, a emoção da mãe é outra: ver a filha sonhando com a escola, brincando com outras crianças e conquistando, passo a passo, qualidade de vida e autonomia.


Referência em reabilitação


Inaugurado em 2019, o Centro Especializado em Reabilitação (CER) de Araguaína é mantido pela Prefeitura, em parceria com o Hospital de Amor, e atende pacientes de mais de 63 municípios da região meio-norte do Tocantins. A unidade tem capacidade para atender até 100 pacientes por dia, oferecendo reabilitação física, intelectual, visual e auditiva.


A história de Stella vai além de um diagnóstico médico. É um retrato de persistência, fé, trabalho em equipe e da certeza de que cada pequeno avanço pode transformar completamente um futuro.





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