Vírus Nipah preocupa após boatos nas redes, mas Brasil não registra casos, diz Ministério da Saúde
O vírus Nipah voltou a ganhar destaque nas redes sociais nos últimos dias após publicações afirmarem que a doença já estaria circulando no Brasil. No entanto, o Ministério da Saúde esclareceu, em comunicado oficial, que não há nenhum caso confirmado da doença no país, classificando como falsa a informação compartilhada online.
Identificado pela primeira vez na década de 1990, na Malásia, o vírus Nipah é considerado raro, porém altamente letal. Desde sua descoberta, os casos têm se concentrado principalmente no sul e sudeste da Ásia.
Doença é zoonótica e tem alta letalidade
De acordo com o infectologista Tobias Garcez, do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), unidade vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), o Nipah é um vírus zoonótico — ou seja, transmitido de animais para humanos.
“Desde que foi descoberto, os casos se concentram no sul e no sudeste da Ásia, porque nessas regiões existem condições ecológicas e culturais favoráveis para sua disseminação”, explica o médico.
Os principais reservatórios do vírus são morcegos frugívoros, conhecidos como raposas-voadoras. Esses animais não desenvolvem a doença, mas podem eliminar o vírus pela saliva, urina e fezes. A transmissão pode ocorrer por contato direto com os morcegos ou de forma indireta, por meio do consumo de frutas e alimentos contaminados.
Segundo o especialista, o risco é maior em países como Bangladesh e Índia, onde é comum o consumo de seiva crua. “A Índia registrou dois casos em profissionais da saúde que atuavam no mesmo hospital, o que chamou a atenção das autoridades sanitárias”, destaca.
Sintomas e riscos
O período de incubação do vírus varia de três dias a duas semanas. A infecção pode ser assintomática, mas nos casos graves apresenta sintomas semelhantes aos da dengue, como febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, cansaço e vômitos.
Em quadros mais severos, o paciente pode desenvolver encefalite e pneumonia, evoluindo rapidamente para insuficiência respiratória. A taxa de letalidade pode chegar a 80%. Entre os sobreviventes, há registros de sequelas neurológicas, incluindo alterações motoras e mudanças de comportamento.
Baixa probabilidade no Brasil
Apesar da gravidade da doença, o infectologista avalia como pouco provável a chegada do vírus ao Brasil, já que sua circulação está associada a fatores ecológicos e culturais específicos da Ásia.
“O vírus não circula no Brasil. Existe vigilância nos aeroportos e protocolos do Ministério da Saúde para lidar com eventuais casos suspeitos. Além disso, ainda não há vacina nem antiviral específico para o tratamento”, afirma Tobias.
As principais medidas preventivas incluem higienizar bem frutas, evitar alimentos com sinais de mordidas de animais e reduzir exposição em áreas onde há presença de morcegos transmissores — especialmente durante viagens à Índia e Bangladesh.
Informação qualificada contra fake news
Especialistas reforçam que doenças emergentes fazem parte do cenário global de saúde pública, mas alertam para a importância da informação qualificada para evitar pânico desnecessário.
O Hospital de Doenças Tropicais integra a Rede Ebserh desde 2015. Vinculada ao Ministério da Educação, a estatal administra 45 hospitais universitários federais em todo o país, que atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e também atuam na formação de profissionais e no desenvolvimento de pesquisas.
O Ministério da Saúde reforça que qualquer atualização sobre o tema será divulgada por canais oficiais.






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