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Araguina,24/02/2026

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Vírus Nipah preocupa após boatos nas redes, mas Brasil não registra casos, diz Ministério da Saúde


Vírus Nipah preocupa após boatos nas redes, mas Brasil não registra casos, diz Ministério da Saúde

O vírus Nipah voltou a ganhar destaque nas redes sociais nos últimos dias após publicações afirmarem que a doença já estaria circulando no Brasil. No entanto, o Ministério da Saúde esclareceu, em comunicado oficial, que não há nenhum caso confirmado da doença no país, classificando como falsa a informação compartilhada online.


Identificado pela primeira vez na década de 1990, na Malásia, o vírus Nipah é considerado raro, porém altamente letal. Desde sua descoberta, os casos têm se concentrado principalmente no sul e sudeste da Ásia.



Doença é zoonótica e tem alta letalidade



De acordo com o infectologista Tobias Garcez, do Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), unidade vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), o Nipah é um vírus zoonótico — ou seja, transmitido de animais para humanos.


“Desde que foi descoberto, os casos se concentram no sul e no sudeste da Ásia, porque nessas regiões existem condições ecológicas e culturais favoráveis para sua disseminação”, explica o médico.


Os principais reservatórios do vírus são morcegos frugívoros, conhecidos como raposas-voadoras. Esses animais não desenvolvem a doença, mas podem eliminar o vírus pela saliva, urina e fezes. A transmissão pode ocorrer por contato direto com os morcegos ou de forma indireta, por meio do consumo de frutas e alimentos contaminados.


Segundo o especialista, o risco é maior em países como Bangladesh e Índia, onde é comum o consumo de seiva crua. “A Índia registrou dois casos em profissionais da saúde que atuavam no mesmo hospital, o que chamou a atenção das autoridades sanitárias”, destaca.



Sintomas e riscos



O período de incubação do vírus varia de três dias a duas semanas. A infecção pode ser assintomática, mas nos casos graves apresenta sintomas semelhantes aos da dengue, como febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, cansaço e vômitos.


Em quadros mais severos, o paciente pode desenvolver encefalite e pneumonia, evoluindo rapidamente para insuficiência respiratória. A taxa de letalidade pode chegar a 80%. Entre os sobreviventes, há registros de sequelas neurológicas, incluindo alterações motoras e mudanças de comportamento.



Baixa probabilidade no Brasil



Apesar da gravidade da doença, o infectologista avalia como pouco provável a chegada do vírus ao Brasil, já que sua circulação está associada a fatores ecológicos e culturais específicos da Ásia.


“O vírus não circula no Brasil. Existe vigilância nos aeroportos e protocolos do Ministério da Saúde para lidar com eventuais casos suspeitos. Além disso, ainda não há vacina nem antiviral específico para o tratamento”, afirma Tobias.


As principais medidas preventivas incluem higienizar bem frutas, evitar alimentos com sinais de mordidas de animais e reduzir exposição em áreas onde há presença de morcegos transmissores — especialmente durante viagens à Índia e Bangladesh.



Informação qualificada contra fake news



Especialistas reforçam que doenças emergentes fazem parte do cenário global de saúde pública, mas alertam para a importância da informação qualificada para evitar pânico desnecessário.


O Hospital de Doenças Tropicais integra a Rede Ebserh desde 2015. Vinculada ao Ministério da Educação, a estatal administra 45 hospitais universitários federais em todo o país, que atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e também atuam na formação de profissionais e no desenvolvimento de pesquisas.


O Ministério da Saúde reforça que qualquer atualização sobre o tema será divulgada por canais oficiais.





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