Raízen aprova plano para sair de crise de R$ 65 bilhões e será dividida em duas empresas

Pedido de recuperação extrajudicial da Raízen preocupa produtores de cana
Os acionistas da Raízen aprovaram nesta sexta-feira (30) medidas necessárias para colocar em prática o plano de recuperação extrajudicial (RE) da companhia.
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Com dívida de cerca de R$ 65 bilhões, é a maior RE da história do Brasil. A crise da companhia ocorreu após uma série de apostas arriscadas, safras ruins e preços baixos das commodities.
Entre as decisões estão mudanças nos estatutos das empresas, alterações no capital social, a separação dos negócios de energia e combustíveis e a eleição dos novos conselhos de administração.
O plano prevê um aumento de capital de até R$ 39,8 bilhões.
Desse total, a Shell poderá aportar até R$ 3,5 bilhões, enquanto a Aguassanta poderá contribuir com até R$ 500 milhões, caso decida participar.
A operação também prevê a conversão de parte das dívidas de credores em participação na empresa e a possibilidade de os demais acionistas comprarem novas ações para manter sua participação na companhia.
O aumento de capital ainda será submetido à aprovação do Conselho de Administração, em reunião prevista para 6 de novembro.
Os acionistas terão de 9 de novembro a 8 de dezembro para exercer o direito de preferência, ou seja, a prioridade para comprar novas ações antes que elas sejam oferecidas a outros investidores.
Raízen será partida em duas
Outra mudança aprovada prevê a divisão da Raízen em duas companhias abertas, independentes e com ações negociadas na bolsa.
A Raízen Energia ficará responsável pela produção e comercialização de etanol, açúcar e bioenergia. Já a Raízen S.A. concentrará as atividades de distribuição de combustíveis e lubrificantes da marca Shell.
A separação será realizada após o cumprimento das condições previstas no plano e dos prazos legais. Para viabilizar a operação, os acionistas também aprovaram a redução do capital social da Raízen S.A. em até R$ 35 bilhões, por meio da entrega aos acionistas de títulos emitidos pela Raízen Energia.
As assembleias também aprovaram a formação dos novos conselhos de administração das empresas. Após a conclusão do aumento de capital, cada conselho terá sete membros titulares e sete suplentes.
Para presidir o conselho da empresa de distribuição de combustíveis e lubrificantes, foi indicado Samuel Aguirre. Na empresa de etanol, açúcar e bioenergia, a indicação é Julio Cesar de Toledo Piza Neto.
A liderança dos negócios de distribuição de combustíveis ficará a cargo de Lorival Nogueira Luz Jr., enquanto Geovane Dilkin Consul foi indicado para comandar a operação de etanol, açúcar e bioenergia.
Ambos fazem parte da atual administração da companhia e participam do processo de transformação operacional e financeira em andamento há dois anos. As indicações ainda deverão ser confirmadas pelos respectivos conselhos.
A companhia também informou que começará a preparar um processo para avaliar a possibilidade de receber investimentos no negócio de distribuição de combustíveis.
Uma das alternativas previstas é a oferta pública secundária, operação em que acionistas vendem ações que já possuem a outros investidores.
Segundo o CEO da Raízen S.A., Nelson Gomes, as decisões aprovadas dão previsibilidade à reorganização e permitem dar continuidade ao plano de transformação da companhia.
"O trabalho realizado até aqui é fruto da construção conjunta entre todas as partes interessadas, e também da disciplina no cumprimento de todos os compromissos assumidos ao longo do processo de reestruturação da companhia", afirmou.
A administração atual das empresas permanecerá inalterada até que sejam cumpridas as condições necessárias para a conclusão das mudanças.
Logo da Raízen
Divulgação






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