OPERAÇÃO “ÚLTIMA ETAPA” DESARTICULA ESQUEMA DE FRAUDE EM CONCURSOS NO TOCANTINS
A Polícia Civil do Estado do Tocantins deflagrou, na manhã desta quarta-feira (18), a Operação Última Etapa, com o objetivo de desarticular um esquema sofisticado de fraude em concursos públicos que atuava de forma interestadual. A ação foi coordenada pela Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO).
Ao todo, foram cumpridos oito mandados de prisão preventiva e nove de busca e apreensão, expedidos pelo Juízo da 1ª Vara Regional das Garantias de Palmas. As ações ocorreram simultaneamente nos estados de Pernambuco, Paraíba, Pará e Goiás.
Esquema envolvia “pilotos” para fazer provas
As investigações apontaram que o grupo criminoso operava com uma estrutura organizada, baseada na substituição de candidatos por terceiros, conhecidos como “pilotos”, que realizavam as provas no lugar dos inscritos.
Esses “pilotos” eram recrutados por sua alta capacidade intelectual e experiência em concursos públicos. Segundo a apuração, os valores cobrados chegavam a R$ 50 mil por prova. O esquema incluía planejamento detalhado, uso de documentos e estratégias para burlar a fiscalização durante a aplicação dos exames.
Os fatos investigados estão relacionados à primeira fase do concurso da Polícia Militar do Estado do Tocantins, realizada em junho de 2025.
Envolvidos incluem agentes públicos
Entre os presos estão cinco candidatos suspeitos de contratar o serviço ilegal e três integrantes do grupo que atuavam como “pilotos”. O perfil dos investigados chamou atenção das autoridades.
De acordo com a polícia, entre os envolvidos há um agente socioeducativo do Distrito Federal, um policial rodoviário federal lotado no Pará e um ex-policial militar da Paraíba, já excluído da corporação por envolvimento em outros crimes.
Provas técnicas reforçam investigação
A investigação teve início após a Polícia Militar do Estado do Tocantins identificar indícios de irregularidades e compartilhar as informações com a Polícia Civil.
O inquérito reuniu um conjunto robusto de provas, incluindo confrontos papiloscópicos que indicaram incompatibilidade de digitais, exames grafotécnicos que apontaram divergências em assinaturas e relatórios de inteligência que confirmaram a atuação organizada do grupo.
Com base nesses elementos, a Justiça autorizou as medidas cautelares solicitadas pela Polícia Civil.
Objetivo é garantir lisura dos concursos
Segundo o diretor da DRACCO, Afonso Lyra, o caso revela um alto nível de organização criminosa.
“O trabalho investigativo evidenciou um esquema estruturado, com divisão de tarefas e atuação coordenada. A resposta da Polícia Civil demonstra o compromisso com o enfrentamento qualificado às organizações criminosas e com a lisura dos certames públicos”, destacou.
A operação contou com apoio das Polícias Civis de outros estados e da Polícia Civil do Distrito Federal, além da colaboração da Polícia Militar do Tocantins e de órgãos de controle.
Nota da PM
Em nota, a Polícia Militar do Estado do Tocantins informou que, ao identificar indícios de irregularidades, adotou medidas administrativas imediatas e compartilhou as informações com a Polícia Civil.
A corporação ressaltou que as suspeitas dizem respeito a condutas individuais e que não há comprometimento da lisura do concurso como um todo. A PM reforçou ainda o compromisso com a transparência, a legalidade e a seleção de profissionais qualificados.
O caso segue sob investigação.






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